Escolher a franquia e o modelo do seguro de doença suíço LAMal

Franquia e modelo LAMal: a escolha certa, em números Guia 2026

Clock icon 14 minutos de leitura | Atualizado a 4 de setembro de 2026

Autor: Brice DELHOME

📌 Em resumo: franquia, modelo e as datas que contam
  • Dois ajustes, duas naturezas diferentes. A franquia é uma aposta estatística no seu ano de saúde. O modelo de seguro é um desconto trocado por uma restrição organizativa, sem qualquer aposta financeira.
  • O ponto de equilíbrio calcula-se. Com o desconto máximo autorizado, uma franquia de 2'500 francos continua vantajosa enquanto as suas despesas de saúde se mantiverem abaixo de 2'011 francos por ano. A fórmula geral: (desconto anual + 270) ÷ 0,9.
  • A perda é limitada. Mesmo no pior dos anos, a franquia de 2'500 francos só lhe pode custar 660 francos a mais do que a franquia ordinária — desde que tenha obtido o desconto máximo.
  • Desde 1 de janeiro de 2025 só é possível uma mudança entre formas de seguro durante o ano: passar do modelo padrão a um modelo de escolha limitada, junto da seguradora atual. Tudo o resto espera por 1 de janeiro, com uma rescisão recebida até 30 de novembro — exceto a mudança de seguradora a 1 de julho, reservada aos segurados que mantiveram a franquia ordinária e o modelo padrão.
  • Os prémios pagam-se em francos. Se os seus rendimentos estão noutra moeda, a margem cambial cobrada em cada pagamento é uma despesa certa, enquanto o desconto de franquia continua a ser uma aposta — a ibani anuncia a sua margem antecipadamente.

Todos os outonos, milhões de segurados na Suíça recebem um prémio revisto e têm de decidir duas questões em poucas semanas: que franquia e que modelo de seguro. Ambas as decisões são quase sempre tomadas por intuição, quando na realidade se podem calcular.

Aliás, não se calculam da mesma maneira, porque não são da mesma natureza. Escolher uma franquia alta é apostar na própria saúde: o ganho é certo, a perda é possível. Escolher um modelo com médico de família, rede HMO ou aconselhamento telefónico é aceitar uma restrição organizativa em troca de um desconto imediato, sem arriscar nada no plano financeiro. Confundir as duas leva a subaproveitar a alavanca sem risco financeiro e a sobrestimar a alavanca arriscada.

Este guia trata do direito suíço e do seguro obrigatório de cuidados de saúde. As regras são federais: valem para um titular de autorização B, para um residente na Suíça, para um estudante internacional, tal como para um trabalhador transfronteiriço que optou pela LAMal — este último caso é, no entanto, objeto de uma reserva importante, tratada no fim do artigo.

1. O que se escolhe exatamente ao escolher a franquia e o modelo?

Dois ajustes estruturam o essencial da decisão: o montante da franquia e a forma de seguro. As prestações, essas, não se mexem um milímetro: o catálogo do seguro obrigatório de cuidados é fixado pela lei federal, idêntico em todas as seguradoras e em todos os modelos. Uma caixa não reembolsa nem mais nem menos do que outra no seguro de base.

Vale a pena dizê-lo desde já porque elimina uma inquietação frequente. Passar de uma franquia de 300 francos para uma de 2'500 francos não reduz nenhuma cobertura. Passar da livre escolha do médico para um modelo HMO não retira nenhum tratamento do catálogo reembolsado. O que muda é quem paga os primeiros francos no primeiro caso, e por que porta se entra no sistema de cuidados no segundo.

Duas alavancas secundárias, muitas vezes esquecidas

Existem outros dois ajustes, menos conhecidos. O primeiro é a suspensão da cobertura de acidentes: quem trabalha na Suíça para o mesmo empregador pelo menos oito horas por semana está integralmente coberto contra acidentes pela lei do seguro de acidentes e pode pedir à sua seguradora de doença que suspenda esse risco, com base no artigo 8.º, n.º 1, da LAMal. A seguradora reduz então o prémio em conformidade. O pedido deve ser acompanhado da prova da cobertura de acidentes, e a suspensão só produz efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte. O segundo é o seguro com bónus, previsto nos artigos 96.º a 98.º da OAMal, que recompensa os anos sem prestações: pouquíssimas seguradoras o propõem ainda e quase nunca entra na decisão.

Para situar as ordens de grandeza, o Serviço Federal de Saúde Pública anunciou em 23 de setembro de 2025 os prémios de 2026: o prémio médio mensal situa-se em 393,30 francos, mais 4,4 % do que um ano antes. Em detalhe, atinge 465,30 francos para um adulto (+4,1 %), 326,30 francos para um jovem adulto (+4,2 %) e 122,50 francos para uma criança (+4,9 %). Ao longo de um ano completo, um adulto entrega assim em média 5'583,60 francos à sua caixa de doença, antes mesmo de ter consultado quem quer que seja.

💡 As duas alavancas não se parecem. A franquia é uma aposta: recebe um desconto certo e aceita uma exposição suplementar se o ano correr mal. O modelo é uma troca: recebe um desconto certo e aceita uma restrição organizativa. Nenhuma quantia está em jogo enquanto respeitar o percurso previsto. É por isso que a ordem lógica consiste em examinar primeiro o modelo e depois a franquia.

2. Quanto custa um ano de cuidados consoante a franquia?

A participação nos custos do seguro obrigatório compõe-se de três elementos: a franquia, a quota-parte e, em caso de internamento, uma contribuição fixa para as despesas de estadia. A franquia ordinária ascende a 300 francos por ano civil para um adulto e a zero para uma criança até aos 18 anos.

Acima da franquia, o segurado suporta uma quota-parte de 10 % dos custos, limitada a 700 francos por ano para um adulto e a 350 francos para uma criança. Acresce uma contribuição para as despesas de estadia hospitalar de 15 francos por dia, da qual estão isentos as crianças, os jovens adultos em formação com menos de 25 anos e as mulheres que beneficiam de prestações de maternidade.

As franquias disponíveis

As franquias opcionais para adultos estão fixadas em 500, 1'000, 1'500, 2'000 e 2'500 francos. Para as crianças vão de 100 a 600 francos, em escalões de 100. Duas precisões contam: as seguradoras não são obrigadas a propor todas as franquias e podem diferenciar as suas tabelas entre adultos e jovens adultos dos 19 aos 25 anos.

Franquia escolhidaFranquia paga no pior dos casosQuota-parte máximaParticipação anual máxima
300 francos (ordinária)300 francos700 francos1'000 francos
500 francos500 francos700 francos1'200 francos
1'000 francos1'000 francos700 francos1'700 francos
1'500 francos1'500 francos700 francos2'200 francos
2'000 francos2'000 francos700 francos2'700 francos
2'500 francos2'500 francos700 francos3'200 francos

Esta tabela dá já uma informação que muitos segurados desconhecem: por mais grave que seja o ano, a participação nos custos nunca ultrapassa 3'200 francos com a franquia mais alta, sem contar a contribuição hospitalar diária. O limite da quota-parte transforma um risco teoricamente ilimitado numa exposição conhecida de antemão.

⚠️ Duas exceções a conhecer. Desde 1 de janeiro de 2024, a quota-parte sobe para 40 % nos medicamentos originais quando existe um genérico ou biossimilar mais barato na lista de especialidades, salvo motivo médico comprovado. Ao invés, não é exigida qualquer participação nas prestações específicas de maternidade e, a partir da décima terceira semana de gravidez até oito semanas após o parto, também não é cobrada a participação nas prestações gerais.

3. A partir de que montante uma franquia alta deixa de compensar?

O limiar calcula-se com exatidão. Enquanto as suas despesas de saúde anuais forem inferiores ao ponto de equilíbrio, a franquia alta faz-lhe ganhar dinheiro; acima dele, custa-lhe. Esse ponto de equilíbrio depende de uma única variável: o desconto anual que a sua seguradora lhe concede.

Esse desconto está limitado por lei. O artigo 95.º da portaria sobre o seguro de doença (OAMal) limita a redução de prémio a 70 % do risco suplementar assumido pelo segurado. Para uma franquia de 1'500 francos, o risco suplementar face à franquia ordinária é de 1'200 francos, pelo que o desconto anual máximo se situa em 840 francos, ou seja 70 francos por mês.

FranquiaRisco suplementarDesconto anual máximo legalPonto de equilíbrio (com o desconto máximo)
500 francos200 francos140 francos456 francos de cuidados por ano
1'000 francos700 francos490 francos844 francos de cuidados por ano
1'500 francos1'200 francos840 francos1'233 francos de cuidados por ano
2'000 francos1'700 francos1'190 francos1'622 francos de cuidados por ano
2'500 francos2'200 francos1'540 francos2'011 francos de cuidados por ano

A fórmula, para a refazer com os seus próprios números

O cálculo assenta numa comparação simples. Com a franquia ordinária, sobre despesas anuais de C francos — sendo C maior ou igual a 300 —, paga 300 francos mais 10 % do resto, ou seja 270 mais 0,1 × C. Com uma franquia opcional superior a C, paga C. A igualdade escreve-se assim:

Ponto de equilíbrio = (desconto anual obtido + 270) ÷ 0,9

Exemplo concreto: a sua seguradora propõe-lhe uma franquia de 2'500 francos com um desconto de 100 francos por mês, ou seja 1'200 francos por ano. O ponto de equilíbrio situa-se em (1'200 + 270) ÷ 0,9 = 1'633 francos. Abaixo de 1'633 francos de despesas médicas no ano está a ganhar; acima, a perder.

⚠️ O desconto máximo legal quase nunca é o que lhe é oferecido. Os 70 % do artigo 95.º da OAMal são um limite, não um padrão de mercado. Refaça sistematicamente o cálculo com o montante que consta da sua própria proposta: um desconto menor baixa mecanicamente o ponto de equilíbrio e torna a franquia alta menos interessante do que parece.

Uma nota de método: o ponto de equilíbrio não depende do nível da franquia escolhida, mas unicamente do desconto obtido. Por outras palavras, duas propostas que concedem o mesmo desconto anual têm o mesmo limiar de rentabilidade, quer a franquia seja de 1'500 quer de 2'500 francos. O que as distingue é o que acontece para além do limiar, e é o objeto da secção seguinte.

4. Quanto se pode perder no máximo apostando na franquia mais alta?

No máximo 660 francos por ano com uma franquia de 2'500 francos, se o desconto obtido for o máximo legal. A aposta é, portanto, fortemente assimétrica, e no bom sentido: pode poupar-se até 1'540 francos e perder, no pior dos casos, 660 francos.

A demonstração cabe em três linhas. Num ano muito mau, a participação nos custos fica-se por 3'200 francos com a franquia de 2'500, contra 1'000 francos com a franquia ordinária: 2'200 francos de sobrecusto. O desconto de prémio de 1'540 francos é imputado a esse sobrecusto, o que deixa uma perda líquida de 660 francos. E essa perda máxima é atingida já a partir de cerca de 9'500 francos de despesas médicas no ano: acima disso deixa de aumentar, por mais grave que a situação se torne.

FranquiaGanho máximo (com o desconto máximo)Perda máxima (com o desconto máximo)
500 francos140 francos60 francos
1'000 francos490 francos210 francos
1'500 francos840 francos360 francos
2'000 francos1'190 francos510 francos
2'500 francos1'540 francos660 francos

A fórmula geral é a seguinte: perda máxima = franquia escolhida menos 300, menos o desconto anual efetivamente obtido. Mostra que a única variável que conta é o desconto negociado. Com um desconto reduzido a metade sobre uma franquia de 2'500 francos, a perda máxima sobe de 660 para 1'430 francos e a assimetria favorável desaparece.

💡 O verdadeiro obstáculo é muitas vezes a tesouraria, não a estatística. Uma franquia de 2'500 francos pressupõe poder adiantar até 3'200 francos no ano, por vezes em poucas semanas e antes de qualquer reembolso. Para um estudante internacional, um jovem adulto em início de carreira ou um agregado sem poupança de precaução, não é o cálculo de rentabilidade que decide, é a capacidade de absorver o choque. O guia das poupanças no seguro de saúde para estudantes detalha os casos particulares deste público.

5. O que muda realmente um modelo: médico de família, HMO, Telmed ou farmácia?

Um modelo de escolha limitada modifica unicamente a porta de entrada no sistema de cuidados. As prestações reembolsadas continuam a ser as do seguro obrigatório, idênticas em todos os modelos. O que cede é a liberdade de consultar diretamente o profissional da sua escolha; o que obtém é uma redução imediata do prémio.

Estas formas particulares de seguro são enquadradas pelos artigos 99.º a 101.º da OAMal. No mercado suíço encontram-se quatro famílias.

ModeloPrimeiro contacto obrigatórioO que implica no dia a dia
Médico de famíliaO clínico geral designado no contratoTer encontrado um médico que aceite novos pacientes, condição longe de garantida em vários cantões.
HMOUm consultório de grupo pertencente à rede da seguradoraDispor de um centro da rede a uma distância razoável. A oferta é densa em Zurique, Basileia, Genebra e Lausana, e muito mais rara em zonas rurais ou de montanha.
TelmedUm centro de aconselhamento médico, por telefone ou através de aplicaçãoLembrar-se de telefonar antes de se deslocar, fins de semana incluídos. É o modelo menos exigente do ponto de vista geográfico.
FarmáciaUm farmacêutico parceiro para as situações simplesAceitar uma primeira triagem ao balcão antes do encaminhamento para um médico.

Em todos os modelos, as urgências escapam à obrigação de primeiro contacto. Em contrapartida, as outras exceções frequentemente citadas — acesso direto ao ginecologista, ao oftalmologista ou ao pediatra — não são garantidas por nenhuma disposição legal: figuram, ou não, nas condições particulares de cada seguradora. É precisamente o documento a ler antes de assinar, e não depois.

6. Até onde a franquia e o modelo baixam o prémio em conjunto?

A redução ligada à escolha limitada dos prestadores pode atingir 20 % segundo o Serviço Federal de Saúde Pública. Aplicada ao prémio médio de um adulto em 2026, ou seja 5'583,60 francos por ano, uma redução de 20 % representa 1'116,72 francos, e uma redução de 10 % cerca de 558 francos.

Estes descontos não são um gesto comercial. O artigo 101.º da OAMal só os autoriza para as diferenças de custos que resultam efetivamente da limitação da escolha dos prestadores, bem como do modo e do nível particulares de remuneração desses prestadores. Uma seguradora não pode, por isso, anunciar um desconto de modelo puramente promocional.

O limite mínimo abaixo do qual a acumulação não pode descer

As duas alavancas acumulam-se, mas não indefinidamente. O prémio mínimo corresponde a 50 % do prémio do seguro ordinário, entendido como o de um contrato com franquia de 300 francos para um adulto, sem modelo de escolha limitada e com cobertura de acidentes. Esse limite mínimo explica por que razão certas combinações agressivas, franquia máxima e modelo mais restritivo, não chegam à soma aritmética dos dois descontos.

✅ A ordem de tratamento que daqui decorre. O modelo rende geralmente menos do que a franquia máxima, mas rende-o sem aposta: nenhuma quantia está exposta enquanto o percurso de cuidados for respeitado. É, portanto, a alavanca a examinar primeiro. A franquia vem depois e decide-se segundo apenas dois critérios: o seu consumo de cuidados dos últimos três anos e a sua capacidade de tesouraria.

7. O que se arrisca ao não respeitar o percurso de cuidados do modelo?

O risco não é uma penalização fixa: é a recusa de comparticipação dos cuidados obtidos fora do percurso previsto. Consoante as condições de seguro aplicáveis, a seguradora pode não reembolsar nada de uma consulta de especialidade realizada sem passar pelo médico designado, pela rede ou pelo centro de aconselhamento. A fatura fica então integralmente a cargo do segurado, e também não é imputada à franquia.

Três situações são preservadas em todos os casos. As urgências, antes de mais, que permitem o recurso direto aos cuidados necessários. Os encaminhamentos validados, em seguida: uma vez dado o acordo do médico de família, da rede ou do centro de aconselhamento, o resto do percurso decorre normalmente. Por fim, algumas seguradoras preveem acessos diretos, nomeadamente em ginecologia, oftalmologia ou pediatria, mas estas exceções são contratuais e devem ser verificadas uma a uma nas condições particulares.

A consequência prática é simples: um modelo de escolha limitada convém a quem aceita um gesto adicional antes de cada consulta não urgente. Para um agregado que consulta pouco e de forma planeada, a restrição é quase teórica. Para um doente seguido por vários especialistas, torna-se um incómodo real, e o desconto paga-se em fricção administrativa.

8. O que se pode mudar, e em que data exatamente?

Só é autorizada uma mudança entre formas de seguro durante o ano, e data de 2025: um segurado no modelo padrão, com livre escolha dos prestadores, pode passar a um modelo de escolha limitada em qualquer altura, junto da sua seguradora atual. Esta flexibilidade resulta de uma alteração da OAMal adotada pelo Conselho Federal em 20 de novembro de 2024 e em vigor desde 1 de janeiro de 2025. Todas as outras operações continuam anuais.

OperaçãoQuando é possívelPrazo
Passar do modelo padrão a um modelo de escolha limitadaEm qualquer altura, junto da seguradora atualNenhum
Regressar ao modelo padrão ou mudar de modelo alternativoA 1 de janeiroSegundo as condições da seguradora, na prática 30 de novembro
Alterar a franquiaApenas a 1 de janeiroNa prática 30 de novembro
Mudar de caixa de doença a 1 de janeiroApós a receção do novo prémioRescisão recebida até 30 de novembro
Mudar de caixa de doença a 1 de julhoApenas com franquia ordinária e modelo padrãoPré-aviso de três meses, ou seja 31 de março

O regime de datas decorre do artigo 7.º da LAMal. O seu n.º 1 abre uma saída no fim de cada semestre civil, com um pré-aviso de três meses: a janela útil na prática é 30 de junho, reservada aos segurados que mantiveram a franquia ordinária e o modelo padrão. O n.º 2 abre a janela anual: aquando da comunicação do novo prémio, o segurado pode mudar de seguradora para o fim do mês que precede o início de validade desse prémio, com um pré-aviso de um mês.

⚠️ 30 de novembro é uma data de receção, não de envio. Uma rescisão enviada a 29 de novembro e entregue a 2 de dezembro está fora de prazo, e o segurado continua vinculado mais um ano. O correio registado, ou qualquer outro meio que prove a data de receção, é aqui a única prova útil.

O calendário é o mesmo todos os anos: o Serviço Federal de Saúde Pública aprova e publica os prémios do ano seguinte no final de setembro — os de 2026 foram-no a 23 de setembro de 2025 —, as seguradoras comunicam-nos aos seus segurados no final de outubro, e a rescisão tem de ser recebida até 30 de novembro. Para os prémios de 2027, a janela de decisão situa-se assim entre o final de outubro e 30 de novembro de 2026.

9. Porque é que a um transfronteiriço não são propostas nem franquia opcional nem modelo alternativo?

Porque ambos os ajustes pressupõem uma rede de cuidados e uma tarifação pensadas para segurados domiciliados na Suíça. Na prática, os contratos LAMal celebrados para quem trabalha na Suíça e reside em França, na Alemanha, em Itália ou na Áustria assentam na franquia ordinária de 300 francos para os adultos e no modelo padrão: nem franquia opcional, nem modelo de escolha limitada. As duas alavancas descritas neste guia dirigem-se, portanto, às pessoas seguradas e domiciliadas na Suíça.

A razão é mais estrutural do que jurídica. Um modelo de escolha limitada assenta numa rede de cuidados implantada na Suíça — um consultório de grupo, um médico designado, um centro de aconselhamento. Ora, uma parte dos cuidados do trabalhador transfronteiriço é prestada no seu país de residência, com base no formulário S1: a mecânica do primeiro contacto obrigatório não encontra aí apoio. O nosso guia sobre o que a LAMal cobre no país de residência com o formulário S1 detalha este funcionamento de dupla entrada.

A verdadeira alavanca financeira do transfronteiriço situa-se a montante, no momento do direito de opção entre a LAMal e o regime do seu país de residência. É essa escolha, exercida nos três meses seguintes ao início do contrato de trabalho, que mais pesa no orçamento anual de saúde — muito mais do que alguma vez pesaria uma franquia opcional. A este respeito: como escolher o seguro de saúde enquanto trabalhador transfronteiriço e em que situações é possível reabrir o direito de opção mais tarde. A mudança de seguradora LAMal, essa, continua aberta aos transfronteiriços nas mesmas datas que para os residentes.

💡 Uma data a reter para 2028. O Conselho Federal colocou em consulta, a 3 de setembro de 2025, uma revisão da portaria sobre a compensação de riscos destinada a incluir os cerca de 200'000 segurados domiciliados no estrangeiro, na maioria transfronteiriços residentes em França ou na Alemanha. A entrada em vigor está prevista, segundo o projeto colocado em consulta, para o início de 2028, ao mesmo tempo que o financiamento uniforme. O Serviço Federal de Saúde Pública espera aí uma tendência de subida dos prémios para esses segurados e uma ligeira descida para os segurados residentes nos cantões com elevada proporção de transfronteiriços, Genebra e Basileia-Cidade em particular.

10. O que resta do desconto quando o prémio é pago a partir de outra moeda?

O prémio LAMal é denominado em francos suíços e é cobrado todos os meses, doze vezes por ano. Para um agregado cujos rendimentos ou poupanças estão noutra moeda — um recém-chegado que ainda alimenta a sua conta suíça a partir do estrangeiro, um expatriado há alguns meses na Suíça, um transfronteiriço que converteu o seu salário —, cada pagamento passa por uma conversão, e cada conversão traz uma margem.

Vale a pena estabelecer a ordem de grandeza. Sobre o prémio médio de um adulto em 2026, ou seja 5'583,60 francos por ano, uma margem cambial de 2 % representa 112 francos por ano, e 223 francos para um casal. Ao contrário da aposta na franquia, essa despesa ocorre com certeza, todos os meses, e não figura em nenhum extrato.

É a lógica que a equipa ibani aplica ao conjunto dos encargos recorrentes suíços: antes de otimizar um desconto condicional, verificar o custo do circuito que transporta o dinheiro. O nosso guia sobre a automatização do pagamento de faturas suíças descreve as montagens possíveis para os encargos mensais, prémio LAMal incluído.

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Fontes institucionais: Serviço Federal de Saúde Pública, franquias opcionais · SFSP, prémios e participação nos custos · SFSP, seguros com escolha limitada dos prestadores · SFSP, segurados que podem suspender o risco de acidentes · SFSP, comunicado de 23 de setembro de 2025 sobre os prémios de 2026 · Conselho Federal, alteração da OAMal de 20 de novembro de 2024 · SFSP, consulta sobre a inclusão dos segurados domiciliados no estrangeiro na compensação de riscos · Fedlex, lei federal sobre o seguro de doença (LAMal, RS 832.10) · Fedlex, portaria sobre o seguro de doença (OAMal, RS 832.102) · Priminfo, comparador oficial dos prémios aprovados

Nota: este artigo é redigido a título informativo e reflete o estado do direito a 4 de setembro de 2026. Os descontos de franquia e de modelo variam consoante a seguradora e o cantão: verifique os montantes na sua própria proposta e junto das fontes oficiais antes de decidir.

Perguntas Frequentes

Que franquia LAMal escolher em 2026?

A resposta depende de um único número: quantas despesas de saúde tem num ano. O cálculo é mecânico. Enquanto as suas despesas anuais se mantiverem abaixo de um certo limiar, a franquia alta compensa; acima dele, deixa de compensar. Com o desconto máximo autorizado por lei, esse limiar é de 456 francos para uma franquia de 500, de 844 francos para 1'000, de 1'233 francos para 1'500, de 1'622 francos para 2'000 e de 2'011 francos para 2'500. A fórmula geral é: ponto de equilíbrio igual ao desconto anual obtido mais 270, dividido por 0,9. Permite-lhe refazer o cálculo com o desconto realmente proposto pela sua seguradora, quase sempre inferior ao máximo legal.

Qual é o desconto máximo autorizado numa franquia opcional?

70 % do risco suplementar assumido, nos termos do artigo 95.º da portaria sobre o seguro de doença (OAMal). Em concreto, para uma franquia de 1'500 francos, o risco suplementar face à franquia ordinária de 300 francos é de 1'200 francos, pelo que o desconto anual máximo é de 840 francos, ou seja 70 francos por mês. Os montantes máximos correspondentes são 140 francos para uma franquia de 500, 490 francos a 1'000, 840 francos a 1'500, 1'190 francos a 2'000 e 1'540 francos a 2'500. Trata-se de um limite legal, não de uma garantia: as seguradoras concedem na maioria das vezes menos e não são obrigadas a propor todas as franquias.

Quanto se pode perder ao escolher a franquia mais alta?

No máximo 660 francos por ano, se o desconto obtido for o máximo legal. O cálculo está limitado dos dois lados. Com uma franquia de 2'500 francos, a participação nos custos de um ano muito mau fica-se por 3'200 francos, contra 1'000 francos com a franquia ordinária de 300 francos, ou seja 2'200 francos a mais. O desconto de prémio de 1'540 francos é deduzido, restando 660 francos. A perda máxima segue a fórmula: franquia escolhida menos 300, menos o desconto anual efetivamente obtido. É atingida já a partir de cerca de 9'500 francos de despesas médicas no ano e deixa de aumentar, por mais grave que a situação se torne.

Qual é a diferença entre os modelos médico de família, HMO e Telmed?

A diferença diz respeito unicamente à porta de entrada no sistema de cuidados, nunca às prestações reembolsadas, fixadas por lei e idênticas em todos os modelos. No modelo do médico de família, consulta primeiro um clínico geral designado, que depois o encaminha para os especialistas. No modelo HMO, o primeiro contacto faz-se num consultório de grupo pertencente à rede da sua seguradora. No modelo Telmed, telefona a um centro de aconselhamento médico ou contacta-o através de uma aplicação antes de qualquer deslocação. Algumas seguradoras propõem ainda um modelo farmácia, no qual o farmacêutico parceiro trata os casos simples. As urgências estão isentas desta obrigação em todos os modelos.

Pode mudar-se de modelo de seguro durante o ano?

Num só sentido, desde 1 de janeiro de 2025. Um segurado que esteja no modelo padrão, com livre escolha dos prestadores, pode passar a um modelo de escolha limitada — médico de família, HMO, Telmed ou farmácia — em qualquer altura do ano, junto da sua seguradora atual. Esta possibilidade resulta de uma alteração da OAMal adotada pelo Conselho Federal em 20 de novembro de 2024. Todas as outras mudanças continuam anuais: regressar ao modelo padrão, passar de um modelo alternativo a outro ou alterar a franquia só produzem efeitos a 1 de janeiro. Mudar de caixa de doença durante o ano só é possível a 1 de julho, e apenas para os segurados que mantiveram a franquia ordinária e o modelo padrão.

Até quando é preciso rescindir para mudar de caixa de doença a 1 de janeiro?

A rescisão tem de chegar à seguradora até 30 de novembro, e não basta ser enviada nessa data. Este prazo decorre do artigo 7.º da LAMal: aquando da comunicação do novo prémio, o segurado pode mudar de seguradora para o fim do mês que precede o início de validade desse prémio, com um pré-aviso de um mês. As seguradoras devem comunicar os prémios no final de outubro, o que deixa uma janela de decisão de cerca de quatro semanas. Existe uma segunda janela a 30 de junho, com um pré-aviso de três meses que fixa o prazo em 31 de março, mas na prática só está aberta aos segurados que mantiveram a franquia ordinária e o modelo padrão.

Um trabalhador transfronteiriço pode escolher a sua franquia e o seu modelo LAMal?

Na prática, não. Os contratos LAMal propostos a quem trabalha na Suíça e reside em França, na Alemanha, em Itália ou na Áustria assentam na franquia ordinária de 300 francos para os adultos e no modelo padrão: as franquias opcionais e os modelos de escolha limitada não são aí oferecidos. A razão é estrutural: um modelo de escolha limitada assenta numa rede de cuidados situada na Suíça, ao passo que uma parte dos cuidados do trabalhador transfronteiriço é prestada no seu país de residência através do formulário S1. A verdadeira alavanca financeira situa-se, por isso, a montante, no momento do direito de opção entre a LAMal e o regime do seu país de residência. A mudança de seguradora LAMal, essa, continua aberta nas mesmas datas que para os residentes.